Engenharia reversa: sua importância e um pouco de história

Engenharia reversa: sua importância e um pouco de história

Explicando de maneira muito resumida, a Engenharia reversa é a ação de estudar o funcionamento de algo a partir de seu desmontamento, parte por parte. Pode ser aplicada e tem grande importância em programas de computador, software, componente eletrônico e entre imagináveis exemplos diferentes nos dispositivos mecânicos.

Já desmontou um brinquedo para observar o funcionamento? Ou viu como é uma máquina de lavar roupa por dentro? Participou de algum processo de manutenção para também aprender o funcionamento de qualquer máquina? Basicamente, esses são exemplos da Engenharia reversa.

História

Estudando a história, a engenharia reversa é muito comum em situações de concorrência, principalmente em guerras.

Primeira Guerra Púnica (264 – 241 a. C.)

Não dá para definir precisamente a origem da engenharia reversa, pois é possível fazer isso com diversas invenções ao longo da história.

Durante a Primeira Guerra Púnica, de acordo com o antigo historiador grego Políbio (203 – 120 a. C.), os romanos capturaram um quinquerreme de seus oponentes, os Cártagos, para desenvolver e aprimorar seus próprios navios.

Cinco remadores para três remos: dois pares de remadores pegam dois longos remos. Um quinto remador localiza-se a abaixo de todos com um remo próprio. Todos os remadores ficam interiormente no navio enquanto os remos estendem-se para o lado de fora até a água.
Assim, em cada lado do navio, há uma fileira de vários desses cinco remadores, por toda sua extensão.
Posição dos remadores de um quinquerreme (do latim quinquerēmis, no qual quinque = cinco e remus = remos).
Fonte: Flickr, por Fernando Hdez
Uma miniatura de um quinquerreme: uma vela maior e outra secundária na proa, uma navegação comprida, popa e proa pontiagudas, uma fileira de trios de remos distribuídos nas laterais da embarcação.
Os romanos fizeram um tipo de engenharia reversa na época para produzirem seus próprios navios.
Miniatura de um quinquerreme romano, com base no modelo cartaginês.
Créditos: “Maritime Museum Hamburg – Quinquereme” by nefer202020 is licensed with CC BY-NC-SA 2.0. To view a copy of this license, visit https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/

Guerras Mundiais

Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o piloto francês Roland Garros trabalhou no aperfeiçoamento dos tiros de metralhadora através das hélices de aviões em voo durante um combate. Funcionava por meio de um sistema de sincronização e placas defletoras nas pás das hélices, evitando que as balas da metralhadora não as atingissem.

Porém, em 1915, Garros foi atingido quando pilotava um caça Morane-Saulnier Type L, o qual continha essa invenção. Então, foi obrigado a pousar em território alemão, seu inimigo. Ao ser capturado, não conseguiu destruir seu avião a tempo. Por isso, futuramente, o empresário e construtor aéreo holandês Anthony Fokker inspirou-se no dispositivo de Garros para aprimorá-lo e vendê-lo para a tropa aérea alemã. Resultado negativo: o período chamado “Flagelo Fokker”, quando diversos aviões dos Aliados foram derrotados em combate.

Foto preto-e-branco de Anthony Fokker, com mãos nos bolsos e com traje específico de aviação na década de 1930. Fez engenharia reversa no avião capturado de Roland Garros.
Anthony Fokker com capuz de aviador e binóculos no microfone no aeroporto de Schiphol, Países Baixos, 1934.
Créditos: Willem van de Poll, CC0, via Wikimedia Commons
Foto preto-e-branco da cabine de pilotagem do monoplano Fokker Eindecker. Há o dispositivo de artilharia entre a cabine do avião e as hélices, o qual foi reproduzido pela engenharia reversa nesse avião alemão. O painel de controle é parcialmente visível.
Foto de 1915 da primeira máquina síncrona do Fokker com a arma montada em um monoplano Fokker Eindecker.
Fonte: University of Houston

A princípio, o Império Japonês na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) desenvolveu muito conhecimento e aprimorou sua tecnologia com base nos produtos norte-americanos e alemães. Após isso, o Japão conseguiu estar avançado tecnologicamente até hoje.

Guerra Fria (1947-1991)

Em agosto de 1966, um Mikoyan-Gurevich MiG-21, um caça soviético pertencente à Força Aérea do Iraque, foi enviado para Israel por Munir Redfa (1934-1998), um piloto desertor iraquiano (é possível que Redfa foi motivado pela discriminação religiosa que ele e sua família sofriam no Iraque). Logo, as forças aéreas de Israel e dos EUA estudaram o modelo para descobrir seus segredos.

Aliás, o MiG-21 era uma das aeronaves importante na época: voava mais rápido que a velocidade do som, manutenção simples e custo de aquisição menor; presenciou-se em diversos conflitos do século XX pós-2ª Guerra Mundial. Esse plano (chamado de “Operação Diamante”), além de transportar toda a família do desertor iraquiano para Israel, foi executado pelo serviço secreto israelense Mossad.

Foto preto-e-branco de Munir Redfa em frente ao caça capturado. É possível ver o vidro da cabine, parte da asa, rodas de apoio, pista de pouso, o "nariz" cônico do avião aberto da frente, o selo com uma estrela de seis pontas. A engenharia reversa foi feita para descobrir seus segredos de engenharia.
O MiG-21 em Israel capturado pela Forças Aéreas de Israel.
Fonte: Israel Defense.

Por outro lado, não é só de guerra para que existe a engenharia reversa.

Aplicações da engenharia reversa

A engenharia reversa é muito importante para o conhecimento de um componente do processo. A manutenção é otimizada, pois é impossível fazê-la em uma máquina desconhecida.

Caso uma máquina não possua manual de instruções para operação ou manutenção, ou estiverem perdidos, a engenharia reversa pode ser aplicada com o objetivo de basear novas versões desses documentos. É necessária especialmente em uma máquina cujo desenho técnico tenha sido perdido. Conhecer os mecanismos de um equipamento serve como uma maneira de ter uma compreensão mais detalhista de um processo, por exemplo, um superaquecimento e vibrações indesejadas do eixo de uma bomba centrífuga podem ser causadas por um rolamento interno defeituoso ou um desalinhamento entre eixos. Assim, funcionário ou contratado da manutenção pode deduzir com mais precisão a causa do erro e fazer uma manutenção corretiva.

Chama-se de “as-built” a produção de um desenho técnico mecânico de algo que já está construído, de uma peça até uma máquina inteira.

Além disso, existe a possibilidade da criação de um plano de manutenção preventiva, análise de modos de falhas e efeitos (FMEA) e outras ferramentas de gerenciamento.

No mundo do mercado e da concorrência, é feito o possível para buscar um diferencial e melhorias. Por isso, a engenharia reversa é atuante em análises de produtos entre concorrentes. Exemplos: na indústria automobilística, uma fabricante pode comprar o produto da concorrência para desmontar e estudá-lo, propositando uma versão aprimorada em suas próprias vendas; fabricantes de televisores podem ficar comparando seus produtos uns com os outros. Então, com a prática da engenharia reversa, projetistas mecânicos podem ter um investimento de tempo em suas funções durante o desenvolvimento de produtos.

Diferença entre Engenharia Reversa e pirataria

Tecnicamente, a pirataria de CD’s e DVD’s de filmes e jogos é uma ação de engenharia reversa para burlar a proteção anticópia desses através do conhecimento de seus detalhes – nunca faça isso. Às vezes, realizar uma cópia de um produto sem devida autorização pode ser ilegal, afinal, patentes precisam ser respeitadas. Como quase tudo, existe um lado ruim.

Contudo, a engenharia reversa em si não é a cópia não autorizada, sendo uma consequência. Com o avanço tecnológico, a prática expandiu-se para áreas do conhecimento menos físicas, como a engenharia de software. Sendo assim, estudantes podem fazer o esforço de descobrir o funcionamento e desempenho de programas de código fechado (software de código fonte suprimido ou com restrições à manipulação do código fonte) através de reconstruções. 

Aliás, ao falarmos em estudantes, ela é utilizada para fins acadêmicos no campo de pesquisa. Isso porque é possível observar didaticamente como uma e várias tecnologias são aplicadas em um produto no mercado.

Enfim, sabia que nós da TM Jr. também fazemos serviço de engenharia reversa? Saiba que podemos fazer um as-built de um equipamento seu, isto é, um desenho técnico caso não possua. Que tal aproveitar esse serviço para nós realizarmos um plano de manutenção preventiva?

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